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Festivais

89ª Oscar (2017) – premiação

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood na era da lo lo otimização.

Por Luiz Joaquim | 28.02.2017 (terça-feira)

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E La la land, de Damien Chaelle (32 anos), levou a estatueta do Oscar de melhor filme na edição 89 da festa produzida pela Academia de Artes e Ciências Cinematográfica de Hollywood neste 2017. Mas levou apenas por 2 minutos e 20 segundos. Depois devolveu.

Foi o tempo suficiente para a produção da festa perceber que a atriz Faye Dunaway havia lido o envelope errado. Envelope passado por seu companheiro de apresentação da noite, Warren Beatty (ambos estavam lá celebrando os 50 anos do filme Bonnie and Clyde: Uma rajada de balas, de Arthur Penn).

Ainda enquanto o la la produtor, Jordan Horowitz, empunhando o homenzinho dourado, agradecia ao microfone pela vitória, falando de sonhos e amores, uma correria iniciou-se no palco por trás da la la multidão.

Quando soube do equívoco, antes mesmo de Beatty explicar-se ao microfone para os 225 países que acompanhavam a transmissão, um outro produtor desabafou dizendo: “We lost, anyway” (À propósito, nos perdemos) enquanto Horowitz puxava o envelope correto da mão de Beatty para expor o erro da produção. Lá estava escrito Moonlight (Sob a luz do luar) como melhor filme.

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Foi explicado, posteriormente, que o funcionário da empresa responsável pela organização dos envelopes havia entregue a Beatty o equivalente à premiação de melhor atriz – Emma Stone, por La la land -, daí a confusão feita pela cabeça de Beatty, que demorou para fazer a leitura do contemplado ao abrir o envelope errado.

ERROS – Tal qual a premiação do concurso de Miss Universo em 2015 – quando Miss Colômbia foi anunciada como vencedora, mas a real vencedora foi a Miss Filipinas -, o Oscar 2017 entra para a história por um erro. Não há registro histórico, desde 1927 (quando iniciou sua atividade), de um erro assim na cerimônia da Academia.

Um outro problema aconteceu, nesta edição – ao menos na transmissão para o Brasil – tenha sido esquecido pelos espectadores em função da gafe maior protagonizada posteriormente por Dunaway e Beatty. Havia passada cerca de metade da cerimônia e a transmissão foi interrompida por quase um minuto (uma fortuna para a transmissão do Oscar), fazendo com que os comentaristas locais – Rubens Ewald Filho e Domingas Person, pelo canal pago TNT – precisassem se virar nos comentários sobre uma fixa imagem de um cartela de apresentação.

Tais situações fazem pensar sobre aspectos que Paulo Henrique Silva, presidente da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine), chamou a atenção em sua página no Facebook ontem (27), um dia após a premiação do Oscar (26). “Esse é o retrato do mundo: em nome de otimização, empregos são cortados sem ninguém para dividir, checar ou revisar o que você faz”.

É curioso, diria que sintomático, que o mundo avance exponencialmente em termos de tecnologia, enquanto contextos básicos envolvendo emoções humanas retrocedam.

Ao mesmo tempo é comovente ver que Moonlight: Sob luz do luar – segundo longa-metragem de Barry Jenkins, um filme sutil, humano, moderno e econômica (custou US$ 1,5 milhão, tornando-se a mais barata produção a ganhar a principal estatueta) – apareça e faça história em 2017, saindo-se vitorioso de uma festa essencialmente feita da indústria e para a indústria.

Há 28 anos, em 1989 mais precisamente, a primeira produção a furar esse bloqueio foi Sexo, mentiras e videotape (custou US$ 1.2 milhão). Era o primeiro longa-metragem de Steven Soderbergh, tendo ele então concorrido ao Oscar de roteiro original.

Diante da piada involuntária criada por esta festa do Oscar, colocando Beatty, Dunaway e Horowitz numa situação desconfortável e constrangedora diante do mundo inteiro, o êxito de La la land levando seis troféus (fotografia, direção de arte, canção, trilha sonora, atriz, diretor) dos 14 que concorria tornou-se menor.

Ambos filmes, entretanto, nunca deverão ser esquecidos na história do cinema, em função da gafe no Oscar. Com o detalhe que Moonlight (que levou três prêmios dos oito que concorria: filme, roteiro adaptado, ator coadjuvante para Mahershala Ali) deverá ser, de agora em diante, visto e lembrando com uma maior acuidade e apreciação.  Que bom.

Os vencedores do 89º Oscar (2017)

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a luz do luar)

Melhor Maquiagem
Esquadrão Suicida

Melhor Figurino
Animais Fantásticos e Onde Habitam

Melhor Documentário
O. J.: Made in América

Melhor Edição de Som
A chegada

Melhor Mixagem
Até o último homem

Melhor Atriz Coadjuvante
Viola Davis (Um limite Entre Nós)

Melhor Filme Estrangeiro
O apartamento (Irã)

Melhor Curta-Metragem de Animação 
Piper

Melhor Animação
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

Melhor Design de Produção (direção de arte)
La la land: Cantando estações

Melhores Efeitos Especiais
Mogli: O menino lobo

Melhor Montagem
Até o Último Homem

Melhor Curta-Metragem de Documentário
Os Capacetes Brancos

Melhor Curta-Metragem
Sing

Melhor Fotografia
La La Land – Cantando Estações

Melhor Trilha Sonora
La La Land – Cantando Estações

Melhor Canção Original
“City of Stars” (La La Land – Cantando Estações)

Melhor Roteiro Original
Manchester à beira-mar 

Melhor Roteiro Adaptado
Moonlight: Sob a Luz do Luar

Melhor Diretor
Damien Chazelle (La La Land – Cantando Estações)

Melhor Ator
Cassey Affleck (Manchester à Beira-mar)

Melhor Atriz
Emma Stone (La La Land – Cantando Estações)

Melhor Filme
Moonlight: Sob a Luz do Luar

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