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Festivais

21. Cine-PE (2017) – noite 4 + debate

Rildo Saraiva falou de “O canto do mar”, Day Rodrigues lamentou situação da mulher negra.

Por Renata Malta | 02.07.2017 (domingo)

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Na sexta-feira (30), quarto dia do 21º Cine-PE: Festival do Audiovisual, foram exibidos os curtas-metragens O menino do canto do mar de Ulisses Andrade, pela mostra Curta Pernambuco; Mulheres negras: Projetos de mundo, de Day Rodrigues e Lucas Ogasawa, Peleja do sertão, de Fabio Miranda, pela mostra curtas nacionais, além do longa-metragem O crime da Gávea, dirigido por André Warwar e roteirizado por Marcilio Moraes, que veio ao festival representando o filme.

Durante o debate ocorrido, ontem (1º/6), na sede do evento – o Hotel Transamérica –, a Sandra Bertini, diretora do Cine-PE, justificou a ausência do nome da realizadora Day Rodrigues no folder do evento como uma falha na inscrição. O deslize não passou desapercebido por Rodrigues que, na apresentação da obra no São Luiz, chamou a atenção sobre o assunto.

Day falou sobre a falta de cineastas negros no mercado cinematográfico, sobretudo mulheres, vinculando o tema do seu filme a sua própria vivência como negra, filha de nordestinos que vivem no Sudeste. A cineasta levantou uma observação sobre o filme Que horas ela volta? (2015), de Ana Muylaert, que classifica como uma perspectiva elitista das empregadas domésticas. Rodrigues diz que uma Jessica negra não seria absorvida pela família e justifica a afirmação a partir de sua própria experiência.

Já Ulisses Andrade, presente com Rildo Saraiva, protagonista do documentário O menino do canto do mar, discutiram o filme que revela o destino do ator que interpretou Raimundo no filme O canto do Mar (1953), de Alberto Cavalcanti.

Tendo seguido a carreira de médico, o olindense que nos créditos da obra de Cavalcanti é identificado como Ruy Saraiva explicou que o motivo que o levou a tentar o teste para o filme foi a paixão platônica por Aurora Duarte, a atriz com quem contracenou. Saraiva acredita ter conseguido o papel pela identificação automática que sentiu com o personagem trazendo naturalidade a sua interpretação amadora.

Questionado pelas deficiências técnicas do filme, a disparidade na qualidade das imagens dos depoimentos e o som, Andrade relacionou as dificuldades por ter trabalhado com um curto orçamento. Justificou ainda o apego às declarações dadas ao filme como o responsável pelo excesso de tempo nas cenas.

Ainda durante o debate, Luiz Carlos Merten, crítico de O Estado de S. Paulo, reclamou do volume excessivamente alto durante as projeções de ontem que a diretoria do festival justificou como escolha dos realizadores.

Em sua fala, Fábio Miranda, da animação cearense Peleja do sertão, que levou 11 anos para ser concluída, explicou os problemas financeiros que enfrentou, já que o projeto acabou extrapolando o orçamento captado para o filme e foi bastante questionado pelo público quanto à dublagem dos personagens que não pareciam autenticas ao sotaque nordestino.

Representantes de curtas e Sandra Bertini em debate na manhã do sábado (30). Foto divulgação.

Na segunda etapa do debate, sempre dedicada aos longas-metragens, estavam o roteirista Marcilio Moraes, além da diretora de arte Lucia Quental e o produtor Eduardo Quental, filhos de Moraes

No enredo, o protagonista, um editor de vídeo chamado Paulo, mergulha na paranoia após encontrar sua mulher morta em casa e passa a fazer uma investigação paralela do crime. No delírio de Paulo, o espectador passa a desconfiar de vários personagens que cruzam o caso. Exceto a falecida, todos os personagens apresentam falhas de caráter incontestáveis. Aos poucos o viúvo começa a questionar, até mesmo, a fidelidade da esposa.

O filme causou estranhamento por ser assinado como “um filme de Marcilio Moraes”. O roteirista justificou a responsabilidade do filme pela ausência do diretor no processo de finalização.

Bastante elogiado pelo enredo, uma adaptação de um romance escrito pelo próprio Moraes em 2003, o filme deixa a desejar na montagem repetitiva, carregada de flashbacks, planos muito próximos dos personagens, excesso de cores e efeitos que tornam a narrativa cansativa. A equipe justificou que a versão do filme em preto e branco foi recusada pela distribuidora pela dificuldade que essa estética enfrenta em ser aceita pelo público.

A obra que foi convidada pela direção do festival para inscrever-se no evento, já esteve em cartaz nos cinemas e está disponível em plataformas on demand.

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